
Os pilotos da equipe ALE de rally, Márcio Oliveira e Tiago Fantozzi, enfrentaram o Rally dos Sertões – 10 dias de desafios de Goiânia (GO) até Natal (RN) – e chegaram unidos e vitoriosos no último dia 03 de julho.
Os dois atletas falam sobre a grande experiência de participar de mais uma edição dessa importante e tão esperada aventura off-road, além dos planos para as próximas disputas.
1 – O que foi o 17º Rally Internacional dos Sertões para vocês?
Márcio Oliveira: Um misto de aprendizado, persistência, superação e espírito de equipe.
Tiago Fantozzi: Essa edição do Sertões foi uma competição na qual imperou o trabalho em equipe, superação e determinação. Com uma contusão grave na perna direita, quase fui obrigado a abandonar. O objetivo na competição passou então a ser ainda mais desafiador, completar a prova e chegar rodando em Natal. Estava preparado, com estrutura de ponta para configurar entre os melhores. Nossa participação mostrou nosso empenho em darmos o máximo. Conquistamos o 3º colocado na principal categoria do Mundial de Rally, SuperProduction até 450cc.
2 – Pensaram em desistir? Por que continuaram?
MO: Pensei sim, na 4ª etapa entre Minaçu e Palmas, após ter largado e a poucos metros da largada, ter constatado que um dos tanques de combustível estava vazando, me obrigando a parar.
O espírito de motivação da equipe de mecânicos e apoio em solucionar o problema e me colocar na prova novamente a qualquer custo. Esta atitude deles me deu uma força incrível, que me fez chegar até Natal.
TF: Durante o Rally tiveram alguns momentos em que o caminho mais fácil parecia a única solução, mas nunca pensei em desistir. Existia um consentimento com a equipe médica do Rally sobre os possíveis sintomas e consequências da lesão. Durante toda corrida tive acompanhamento médico e grande assessoria de todos que estavam à volta. Continuei por toda minha equipe, parceiros, parentes e amigos que me apóiam. Usei a dor de sair da disputa da liderança, como motivação para concluir a competição.
3 – Qual a importância da equipe para vocês terem continuado?
MO: Sem eles não existiria o rally. A importância da equipe esta em todos os momentos, seja na manutenção por parte dos mecânicos, na largada, abastecimento e chegada por parte do apoio rápido, nas refeições por parte do cozinheiro, nos momentos de descontração ou nos de decepção, como também no momento de decisão “Vamos chegar a Natal”. Todos compartilharam com bastante espírito de equipe cada momento vivido nos 14 dias de competição.
TF: A equipe foi fundamental. Os envolvidos se mostraram dignos de pertencer a equipe ALE de Rally. Todos estavam coesos com o mesmo objetivo e cumprindo com maestria respectivas funções. Foram cordiais em relação a tudo que enfrentei de dor durante a competição. Reforço meus agradecimentos a todos, Márcio, Daniel, Gordo, Bacana, Sábia, Geraldo, Edinaldo e Toyão Juruna. Os resultados são fruto do trabalho e união de todos.
4 – Quais as lições você tirou desse rally?
MO: Rally é um esporte que além de todas as dificuldades previstas para se enfrentar, também guarda algumas surpresas que são difíceis de se prever, e nele não há favoritos. Mas para se enfrentar uma prova como o Sertões, em primeiro lugar você deve estar com a sua mente preparada para o desafio, porque quase sempre é ela quem o tira da competição.
TF: Nos meus 10 anos de participação do Sertões, esse foi sem duvida o ano que mais acertamos em relação a estrutura e equipe de apoio. Caminhamos para nos tornarmos a melhor equipe de Rally do Mundo. Infelizmente, no Rally o certo é o incerto. Por mais planejada e treinada que estava a equipe, o Rally surpreende pelas surpresas. Mas tão importante quanto o resultado é a maneira como enfrentamos os desafios e obstáculos. Levarei comigo uma frase que significou muito no meio da competição – “Lutar sempre, vencer as vezes, desistir nunca”
5 – Valeu a pena?
MO: Valeu sim. É diante das dificuldades e dos erros que se tira a lição e o aprendizado para seguir em frente. Como diz o ditado: “Não erramos, e sim criamos a oportunidade de acertar nos próximos”.
TF: E como. Cada metro, sofrido e dolorido. Foi uma pena sair da disputa pela liderança, mas conseguir chegar foi um objetivo ainda mais desafiador.
6 – E agora, quais os planos para a equipe ALE?
MO: Já voltei aos meus treinos físicos e após o período de uma semana de descanso dos mecânicos, volto aos treinos de quadri. Em setembro próximo terá mais uma etapa do campeonato brasileiro de rally em Botucatu – SP, outubro São Luiz – MA, Novembro Rondônia – RO e Dezembro rally dos Amigos – SP encerrando o campeonato brasileiro. Paralelo a isso, estamos trabalhando no projeto para o Dakar 2010 e uma etapa do campeonato mundial no Marrocos ainda em 2009.
TF: Muito treino, competições e conquistas. Através do blog www.equipeale.com.br atualizaremos com as novidades da equipe.


