Como vencer o preconceito?

Culturalmente, os homens são mais resistentes a se consultar com médicos profissionais e falar da vida pessoal, hábitos e fraquezas. Isso começa na infância, quando para incentivar a conter um choro, os adultos costumam dizer aos garotos que “não foi nada, você é forte”. A cobrança de uma imagem de força e virilidade, que só aumenta ao longo da vida, tem custado caro para a população masculina: estatisticamente, homens morrem mais cedo que mulheres e, muitas vezes, de doenças que podem ser curadas se diagnosticadas em tempo.

Segundo a psicóloga Carla Mosso, essa resistência masculina é ainda maior dentro do ambiente familiar, uma vez que na formação histórico-cultural da sociedade, o homem construiu o estereótipo do chefe de família provedor e tem a necessidade de transmitir segurança e invulnerabilidade. “Para eles, a descoberta de uma doença mostra o seu lado frágil, colocando-o num patamar de inferioridade que, geralmente, é atribuído à mulher, considerada como sexo frágil. O medo de que sua liderança esteja em risco faz com que o homem esconda ao máximo seus problemas para evitar que sua masculinidade seja abalada”, explica.

Outro fator que contribui para a saúde do homem está relacionado ao fato das doenças mais comuns do sexo masculino serem o câncer de próstata, a disfunção erétil e a ejaculação precoce, que estão relacionados à sua atividade sexual e podem causar constrangimento. Mas, ignorar e não falar sobre o problema só vai contribuir para que ele aumente, e precisamos mudar essa realidade.

A primeira atitude começa em casa, por meio do apoio da família. Abordar o cuidado com a saúde e os exames de rotina de maneira natural é uma forma de mostrar que não há nenhum problema em procurar uma ajuda profissional e cuidar da saúde. “É preciso deixar claro que realizar o acompanhamento preventivo ou consultar o médico não o torna ‘menos homem’ ou o deixará frágil. Muito pelo contrário, devemos mostrar que a família terá ainda mais admiração por esse homem que se cuida. O diálogo aberto e fraterno é fundamental para a quebra desse estigma”, comenta Carla.

O segundo passo é a informação. Justamente por ser um tabu, muitas vezes o problema e as suas formas de prevenção não são conhecidas, o que auxilia para que o homem ignore seus reais impactos. Pesquise, comente e esclareça os malefícios para que ele possa compreender que um check-up de rotina e uma consulta ao médico são melhores que os riscos.

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Psicóloga Carla Mosso

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