Também fui estagiário …

Tenho o maior respeito e admiração pela figura do estagiário. Vejo em todos eles um futuro executivo de sucesso, um empreendedor destemido ou um acadêmico que em breve estará formando novos profissionais. O estagiário é um idealista por natureza, é puro de alma e de coração, sempre com muita disposição e comprometimento não demonstram ainda nenhum dos defeitos que infelizmente assolam o mundo corporativo. Só pensam em aprender, em se esforçar e em poderem ter a oportunidade de demonstrarem seu potencial. Todos aqueles que trabalham com estagiários são responsáveis por sua formação e por seu treinamento, trata-se portanto de uma missão de extrema importância.

Também fui estagiário, duas vezes, além de aprender bastante o estágio abriu as portas para minha carreira profissional. A primeira vez foi como químico numa industria de solventes especiais, a Exxon Química, trabalhava numa pequena planta com unidades de destilação e controlava uma base de armazenagem de produtos químicos. Passei muitas noites acordado acompanhando as partidas da planta ou acompanhando a movimentação de produtos.

A segunda vez foi como estagiário da ESSO, foi quando comecei minha carreira no segmento de combustíveis. Quem me selecionou foi nosso grande amigo Geraldo Souza, atualmente o Ouvidor da ALESAT. Foi um período de grande aprendizagem, tive a enorme sorte de conviver com profissionais experientes como o Ricardo Villa, Mauro Ivo, Adelmo, Casaes e é claro o próprio Geraldo Souza. Ao final de 9 meses de estágio acabei sendo contratado na área comercial pelo Gerente Regional que à época era nosso amigo Octavio Figueredo que hoje é integrante do Conselho de Administração da ALESAT.

Uma passagem interessante no período de estágio na ESSO foi uma aventura que aconteceu, mais uma vez, a bordo de um pequeno avião. A história foi assim :

Um parente de Geraldo era candidato a prefeito numa cidade próxima a Salvador. Geraldo o estava apoiando e conseguiu com um amigo que tinha um avião, que fossem lançados panfletos em cima da cidade durante o final de semana. Seria uma jogada de marketing eleitoral fantástica : santinhos do futuro prefeito caindo do céu.

Os panfletos estavam confeccionados, o avião já estava arrumado, o piloto era o próprio amigo do Geraldo, porém só faltava uma coisa : alguém para jogar  os panfletos de dentro do avião. Olha-se para um lado, olha-se para o outro, quem poderia fazer tal tarefa ? É óbvio !! o estagiário !! ao ser convidado não pensei duas vezes : É claro que eu vou !

Porém, o que eu não sabia, era que o avião tratava-se na verdade de um monomotor daqueles bem antigos e que o amigo de Geraldo que iria pilotar era na verdade, digamos assim, piloto de fim de semana, com pouca experiência e que nunca tinha realizado uma ação dessa natureza. Bem … como já tinha me comprometido, lá fui eu para missão. Eram apenas dois bancos, um na frente e outro atrás, fiquei no banco de trás, é claro … próximo do meu banco havia uma pequena janela que eu deveria abrir em pleno vôo e por onde eu jogaria os panfletos.

Decolamos do aeroporto de Salvador, não preciso nem falar que meu coração estava na boca. Após cerca de 30 minutos e com muita dificuldade localizamos o alvo, ou seja, a cidade, foi ai que me lembrei de perguntar : como é que eu devo fazer ? a resposta foi animadora … não sei ! abra a janela, prepare os panfletos, vou sobrevoar a cidade, quando estiver próximo eu grito, joga !! e você joga tudo pela janela. Assim foi feito … sobrevôo , grito, arremesso e …. tudo errado !!

Pode parecer lógico agora mas na hora não pensamos nisso. Para se jogar panfletos de um avião existe uma técnica. Para se atingir o alvo é preciso reduzir a velocidade ao máximo e dar um pequena parada no motor para que os panfletos não sejam levados pelo vento na direção contrária do destino desejado. Foi exatamente isso que aconteceu … os panfletos foram levados pelo vento para uma região onde só existiam pastos para gado, nenhum caiu dentro da cidade, se vaca votasse teria sido um sucesso …

Para completar a história, um número grande de panfletos acabaram ficando grudados naquelas asinhas na cauda do avião (chamadas profundores), fazendo com que tivessemos que fazer um pouso meio que forçado no aeroclube da Ilha de Itaparica antes de seguirmos para Salvador, pensem num sufoco …

Bem … apesar do insucesso acho que minha boa vontade e esforço agradaram pois acabei sendo contratado meses depois. Felizmente o parente de Geraldo também foi eleito. Este é só um exemplo de como é dura a vida de estagiário …

Um abraço a todos os estagiários da ALESAT. Aos demais colaboradores peço que lembrem-se. antes de pregarem uma peça nessa rapaziada, que todo mundo foi estagiário um dia.

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4 Responses to “Também fui estagiário …”

  1. Hérika disse:

    Jucelino, também comecei estagiando. Uma seleção difícil, estava concorrendo a uma das melhores bolsas da época (1995) em Natal, a empresa era a Nacional Gás Butano. Foram muitas as descobertas. A troca da mesada pela bolsa, os sacrifícios(tinha que pegar 02 ônibus), as responsabilidades, o aprendizado. Lembro com carinho de todos os “professores” (aprendi com D. Francisca uma senhora de uns 50 anos a usar o único computador e a tecla “shaift”, diga-se “shift”, além de manusear até um Telex). Foram alguns meses de estágio, logo fui contratada e mudei de posição de “faz tudo” para Auxiliar Administrativa. Época boa! Mas … sempre tem um fato engraçado, que marca, e até hoje quando encontro com algumas pessoas rimos bastante deste causo: Um dia um gerente novo chegou e foi chamando um a um para conhecer a equipe, nesta época eu era muito magra, MUITO mesmo … e ele me fez a seguinte pergunta: “Herika, você é muito magrinha, como veio trabalhar numa empresa de botijões de gás?”, eu na minha inocência respondi “seu fulano, trabalho no escritório e não na plataforma, não preciso pegar nos botijões”, ele fez a segunda pergunta “e se eu te mandar pegar agora um botijão daqueles e me trazer aqui, como faria, já que não agüenta com o peso, traria?”, eu respondi de bate pronto “sim, claro, deito no chão e trago rolando até aqui na sala do Sr., qual o Sr. quer, o de 13kg, 20kg ou de 45kg, cheio ou vazio?”, ele riu, e disse “boa resposta, essa foi a resposta mais criativa, eficiente e eficaz que um estagiário me deu”. Sorte a minha que ainda não existia o botijão de 90kg. Abraços.

  2. Wesley disse:

    Jucelino, uma mensagem dessa deve ser PARABENIZADA, aliás muito bem PARABENIZADA, pois eu como estagiário da ALESAT, fiquei muito feliz em saber que temos um dos nossos (‘estagiarios’) na direção da empresa!
    E, vale ressaltar, que não é apenas blá-blá-blá do nosso vice presidente, semana passada vários estagiários, inclusive eu, participamos de um bate papo com juscelino, da maior importância, onde foi discutido assuntos sérios da nossa organização!
    PARABÉNS JUSCELINO, e informo que no final deste mês estou deixando de ser estagiário…fui informado pelo meu superior que agora estarei assumindo a função de analista de combustíveis.
    Aos estagiários vamos nos dedicar e comprometer com a empresa, pq o reconhecimento vem..não é ana emilia?

    Abraços

  3. André Gomes disse:

    Amigo Jucelino. Antes de mais nada, lhe parabenizo pelo blog, a excelente popularidade e nível dos visitantes. Como aqui não é lugar de matar a saudades dos amigos, vamos ao assunto em si.
    Assim como você, a querida Hérika e vários amigos, também iniciei minha carreira como estagiário. Tive o privilégio e a satisfação de estagiar na Petrobrás junto ao extinto DPBP na base Natal me reportando ao Engº Marcelo Amaral, um grande ser humano e profissional acima de tudo. Durante meu estágio também colhi algumas histórias, e, numa delas, indo num avião monomotor (também…rs) juntamente com o Superintendente da Petrobrás de Natal à Mossoró quase vomitei em seu colo enquanto tentávamos pousar na então pequena pista do aeroporto daquela cidade… O vômito não veio no avião, mas a minha cor ao pisar em solo fez o próprio Super me aconselhar: “Meu filho, pode ir vomitar no banheiro que nós lhe aguardamos..”…Imagine a situação…rsrsrs….
    Mudando um pouco o foco dos desafios, da persistência e vontade de aprender que um estagiário deve ter (além de muitos outros tópicos já abordados por você e nos demais comentários), gostaria de ressaltar a importância estratégica que o “mentor” (ou “colch”) do estagiário possui em sua carreira a no futuro da corporação. Uma cobrança feita na hora errada, uma responsabilidade prematura ou mesmo a falta de apoio ao estagiário em sua árdua tarefa em corresponder às necessidades que quase ninguém se dispõe a realizar, podem comprometer ou anular futuros Jucelinos, Hérikas e tantos outros excelentes profissionais que o mercado colhe a cada ano. Como gestores, temos que ter a noção da nossa responsabilidade por esse investimento de capital, cientes de que, muito raramente teremos aquele profissional conosco por muito tempo, mas, satisfeitos por estarmos realizando nosso trabalho de desenvolvê-lo como talento em potencial e colaborando para o sucesso da própria organização. Certamente nem todos estagiários vingam, mas um talento perdido não se recupera. Apesar da minha breve, porém agradável passagem pela SAT, tenho muitas boas recordações do ambiente corporativo, do crescimento profissional e de, inclusive, ter participado da efetivação do então estagiário Edson Oliveira (além de excelente profissional e tricolor, uma excelente pessoa) que iniciou suas atividades no Call Center e hoje, através das suas habilidades, está trilhando sua carreira na ALESAT.
    Enfim, a responsabilidade é de todos nós. Cabe-nos descobrir, capacitar, e, mais ainda, focar no futuro, além do que o próprio estagiário consiga enxergar. Abraços a todos.

  4. Muito interessante, acho q todos nos comecamos como estagiario.

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